SU TS HOMENS DE TERNO
Crônicas/Fates/Parte VI
Crônicas de Fates · Parte VI

Os Dinossauros de Terno

A SUITs descobre que sua maior concentração de experiência não está nos generais. Está na idade dos jogadores.

Servidor Fates-BR · Fates Capítulo 06 de 07

Havia uma coisa que ninguém tinha previsto quando a SUITs foi fundada. Guerras, sim. Bloqueios de porto, certamente. Cidades móveis, generais, barcos, pirataria e adversários desaparecendo misteriosamente das ilhas — tudo isso fazia parte do planejamento estratégico. Mas ninguém estava preparado para descobrir que, por trás dos ternos, havia uma quantidade preocupante de dinossauros.

Tudo começou de maneira aparentemente inocente. Um novo membro entrou no grupo, pediu para ser chamado de Bode — "assim fica padrão jogo" — e, até aí, tudo normal. O problema foi a pergunta seguinte de Ginno, que não era sobre coordenadas, nem sobre tropas, nem sobre recursos. Era uma questão que exigia coragem, diplomacia e, principalmente, muito cuidado: "Tenho 49 anos, e tu?"

O grupo percebeu na hora que aquilo podia terminar mal. Claudia foi a primeira a reagir — "Que pergunta indiscreta!!!" — mas Bode, tranquilo, já tinha respondido: 56, com um "kkkk" no final, do jeito que alguém anuncia o nível de uma pesquisa, não a própria idade. Foi Claudia quem apresentou, ali mesmo, a regra oficial dos jogadores experientes:

"depois dos 40, a gente para de contar."

Ginno concordou. Mas já era tarde — a investigação tinha começado. Descobriu-se que Thor tinha 50. Perez revelou que estava com 59, fazendo 60 em agosto. E, nesse momento, a SUITs deixou oficialmente de ser uma aliança para virar uma associação de terceira idade com fins militares — só que ninguém ali queria admitir que era velho. Thor resolveu a questão da forma mais elegante possível: "Muito jovem." Pronto. Problema resolvido, matemática oficialmente proibida no grupo. A partir daquele dia, 50 passou a ser "muito jovem", 56 virou "experiente" e 59 foi rebatizado, por consenso tácito, de "quase 60".

Ginno, cercado de todos os lados, ainda tentou um consolo tático — "não podemos dizer que a base vem forte" — e não vinha mesmo: a base estava cansada, mas tinha experiência, e, principalmente, tinha ouro. Foi nesse contexto que surgiu o outro elemento fundamental da civilização SUITS: o chope. Perez revelou sua meta pessoal com a solenidade de quem anuncia uma reforma agrária:

"1 barril por semana."

Ficou evidente, a partir dali, que alguns jogadores levavam o conceito de manutenção de tropas a sério demais. Enquanto uns calculavam quanto enxofre precisavam para manter os generais em pé, Perez calculava quanto lúpulo precisava para manter a moral — e talvez fosse essa a verdadeira tecnologia secreta da aliança, porque ninguém fica cinco horas olhando uma batalha no Ikariam sem algum tipo de suporte logístico. Uns tinham ouro, outros generais, alguns barcos. Perez tinha um barril. E todos, sem exceção, tinham em comum a dor nas costas de quem passa tempo demais sentado jogando.

Mas os anos não tinham tirado a disposição para a guerra — muito pelo contrário. A SUITs podia até reunir gente que ainda lembrava de televisão de tubo, telefone com fio e computador que precisava de disquete, mas bastava aparecer uma oportunidade de saque para a idade desaparecer do chat inteiro. "Onde é isso?" "Passa a coordenada." "Vou lá." "Quero também." "Tem recursos?" "Tem muito." Em cinco minutos havia uma operação militar montada — nenhuma reunião de Estado organiza invasão tão rápido — e, no meio de toda aquela movimentação, alguém sempre lembrava da pergunta mais essencial de todas: alguém tem barcos? Porque no Ikariam a guerra funciona assim: você pode ter estratégia, generais, ouro e décadas de experiência, mas sem barco, fica só olhando o inimigo de longe.

Havia ainda a questão das vagas nas ilhas — e, para um observador de fora, uma vaga parecia só uma vaga. Para a SUITs, não: era território estratégico, era soberania, era diplomacia, era motivo de discussão, praticamente uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. "Tenho vaga." "Onde?" "3:10." "Consigo vaga na 3:9." "Tem Poseidon lá?" "Tira a cidade que vou colocar uma lá dentro" — dito com a naturalidade de quem estaciona o carro, mas que, no vocabulário SUITS, normalmente significava que uma ilha tranquila estava prestes a virar zona de guerra. E se aparecesse uma conta inativa carregada de recursos, o espírito coletivo era instantâneo: "Bora pra cima." "Passa a coordenada." "Tem bens?" "Tem muito recurso." Uma verdadeira demonstração de solidariedade — a SUITs sempre acreditou profundamente em trabalho em equipe, principalmente quando o trabalho em equipe envolvia dividir o mapa de uma conta inativa.

Com o tempo, ficou claro que a SUITs não era formada por jogadores comuns, mas por uma mistura improvável de estrategistas, saqueadores, diplomatas, professores, veteranos, mineiros, compradores de barcos e especialistas em encontrar problemas onde não existiam. Alguns eram jovens. Outros eram "muito jovens". E havia os que já figuravam, por consenso não oficial, na categoria patrimônio histórico do Ikariam. Mas todos continuavam ali — jogando, discutindo, rindo, brigando, planejando — e, vez ou outra, alguém soltava no grupo um "Bom dia!", mesmo que já fosse quase meio-dia, porque guerra, pirataria e idade avançada podiam esperar. O bom dia, não.

Afinal, depois dos 40, a gente não envelhece. Apenas aumenta o nível da conta. E, se tudo der errado, toma um chope — um barril por semana, pelo menos segundo o planejamento estratégico do Perez.

Sempre de terno.

Sempre em matilha.

Sempre jovem — oficialmente, a partir dos 50.

🎯 Resumo

Uma pergunta inocente de Ginno revela a verdadeira composição etária da SUITs: 49, 50, 56, 59 quase 60 — e a lei não escrita de que, depois dos 40, ninguém mais conta. Entre a meta do barril semanal de Perez, a caçada instantânea por saques e a disputa diplomática por vagas de ilha, a aliança descobre que sua maior força não está só nos generais, mas na experiência acumulada de quem já viu de tudo — inclusive televisão de tubo.

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